segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

6ª Sessão: Livro digital

Bela Infanta

 

No âmbito da Educação Literária, aqui deixo um livro digital sobre o romance popular "Bela Infanta" criado para servir de motivação para a leitura expressiva e análise do poema.

 

https://pt.calameo.com/read/0050426224d47ec8f2141

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Boas festas!


4ª Sessão: “A utilidade dos recursos digitais e a viabilidade de os trabalhar com os alunos


Já é lugar comum afirmar que a introdução da informática e dos diversos recursos digitais na educação conduz inevitavelmente a novas formas de comunicar, de pensar, ensinar/aprender. Todos nós, educadores, concordamos que o uso da informática na escola não se deve confinar apenas a uma só área disciplinar, mas antes ser utilizada como um recurso para auxiliar o professor na integração dos diversos conteúdos curriculares e apresentar um leque de oportunidades de aprendizagens.
No entanto, nesta reflexão, gostaria de me deter numa outra faceta dessa nova realidade. Ou seja, a crença de que a utilização dos recursos digitais terá à partida, como consequência imediata, uma maior motivação dos nossos alunos.
Desenganem-se. Não é verdade.
A aprendizagem nasce da relação interpessoal entre dois seres: o Aluno e o Professor, sendo a Escola o lugar privilegiado dessa comunicação, que se traduz por uma incessante troca de palavras, imagens, símbolos, sons e movimentos.
O professor deve ser antes de mais nada, um sedutor. Cativar e deixar-se cativar. Mostrar paixão pelo que se transmite. Gostar de crianças.
Receio que as performances tecnológicas e a superabundância de informação digital possam, quando mal geridas, conduzir a uma “overdose” de informação e a uma certa saturação. Quantos alunos desmotivados já me desabafaram a “seca” das repetidas apresentações em PowerPoint?
Os nossos jovens estão a crescer num universo paralelo ao dos pais e ao de muitos dos seus professores. Passam horas no Messenger, em chats, a fazer downloads ou a jogar e, ao mesmo tempo, a mandar mensagens aos amigos reais e virtuais. Chegam a casa exaustos de tanta atividade, mas à hora de jantar, mal conseguem abrir a boca porque, indiferente, o pai atira um "calem-se, que quero ouvir as notícias!". 
É através da comunicação que partilhamos o que somos e que construímos.

Quanto a mim, humildemente vos confesso: se eu for um dia recordada pelos meus alunos, não quero sê-lo pela engenharia digital que eu possa vir a dominar, mas porque, de uma forma ou de outra, os terei conseguido cativar.

2ª Sessão: “Práticas de Literacia da Informação”
















Eu cresci rodeada de livros. Não que os houvesse em casa dos meus pais, gente simples e pouco dada a devaneios literários, mas era só atravessar a rua e entrava num mundo mágico. A senhora bibliotecária conhecia-me pelo nome, e era ali que eu eu me transformava em princesa de encantar, vivia em castelos, perdia o sapato ao fugir do baile, fugia do lobo mau e... ó maravilha, era acordada por um beijo do meu príncipe! Foi na minha biblioteca que tirei o meu doutoramento e pós-graduação em Contos de Fadas. Esgotei todos os livros de Perrault, dos Irmãos Grimm, de Hans Christian Andersen, da Condessa de Segur. Li tudo o que havia. E depois vieram os livros da Enid Blyton. Ah, como eu invejava aquelas crianças a quem aconteciam coisas tão maravilhosamente extraordinárias! E aquelas cestas de comida que levavam nas bicicletas para os piqueniques que faziam? E aqueles pais que, sem pestanejar,  as deixavam nadar, acampar, andar de barco sozinhas?! Foram os livros que me salvaram do tédio de uma vida de periferia social e geográfica à qual parecia condenada.Hoje, como professora, os desafios são outros. Aos dez anos eu não tinha playstation, nem jogos vídeos, não havia facebook, nem twitter, nem snapchat. Quando eu tinha dez anos, os ratos eram só irritantes pequenos roedores e as minhas únicas janelas eram aquelas que se abriam para deixar entrar o sol. Quando eu tinha dez anos, o mundo estava ainda mergulhado nas trevas, escrevíamos na pedra - lousa - e, com a língua de fora para maior concentração, laboriosamente, passávamos a limpo as nossas composições com uma caneta de pena. Quando eu tinha dez anos.Hoje, as nossas crianças e jovens têm à disposição um mundo de dispositivos e de gadgets eletrónicos, são bombardeados com a informação mais diversa e têm acesso a um conhecimento outrora fechado a sete chaves em enciclopédias mofentas.   Atualmente, os meus alunos têm tudo... e muitas vezes não têm nada. Esquecemo-nos dos gestos simples. Até quase que se desaprendeu a procurar uma palavra num dicionário...Tudo mudou. A introdução do digital alterou as nossas vidas. Nada será, a partir de agora, como dantes. Estou em crer que, como professora, as práticas de literacia da informação devem partir de uma perspetiva construtivista e dinâmica em que o aluno seja chamado a participar ativamente na elaboração do conhecimento. Essa construção do conhecimento a partir da pesquisa da informação pressupõe vários intervenientes que interagem e colaboram: professor, aluno e professor bibliotecário. Conhecer é aprender a crescer. 




2ª Sessão: O papel da Biblioteca Escolar


Se eu pudesse, eu penduraria um grande letreiro à porta de cada biblioteca. À volta desse letreiro, colocaria luzes de neon. E nesse letreiro, que se quer bem grande e com luzes de neon à volta, estaria escrito:  “É proibida a entrada a quem não andar espantado de existir”
As palavras não são minhas, mas de José Gomes Ferreira, nas suas "Aventuras de João-Sem-Medo", e têm sido para mim como um lema de vida. 
Na minha opinião, acima de tudo, o papel da Biblioteca é despertar a curiosidade, é obrigar-nos a saltar o muro da ignorância, à semelhança de João-Sem-Medo, que se recusava a fazer parte daqueles "infelizes chorincas que se lastimavam de manhã até à noite". 
Numa era onde manda o digital, o imediato, onde tudo acontece e foge à velocidade de um clique, as nossas crianças devem reaprender a questionar, a interrogar o mundo, a redescobrir o prazer da descoberta. É este o nosso desafio.