Já é lugar comum afirmar que a introdução da informática e dos diversos recursos digitais na educação conduz inevitavelmente a novas formas de comunicar, de pensar, ensinar/aprender. Todos nós, educadores, concordamos que o uso da informática na escola não se deve confinar apenas a uma só área disciplinar, mas antes ser utilizada como um recurso para auxiliar o professor na integração dos diversos conteúdos curriculares e apresentar um leque de oportunidades de aprendizagens.
No entanto, nesta reflexão, gostaria de me deter numa outra faceta dessa nova realidade. Ou seja, a crença de que a utilização dos recursos digitais terá à partida, como consequência imediata, uma maior motivação dos nossos alunos.
No entanto, nesta reflexão, gostaria de me deter numa outra faceta dessa nova realidade. Ou seja, a crença de que a utilização dos recursos digitais terá à partida, como consequência imediata, uma maior motivação dos nossos alunos.
Desenganem-se. Não é verdade.
A aprendizagem nasce da relação
interpessoal entre dois seres: o Aluno e o Professor, sendo a Escola o lugar privilegiado
dessa comunicação, que se traduz por uma incessante troca de palavras, imagens,
símbolos, sons e movimentos.
O professor deve ser antes de
mais nada, um sedutor. Cativar e deixar-se cativar. Mostrar paixão pelo que se
transmite. Gostar de crianças.
Receio que as performances
tecnológicas e a superabundância de informação digital possam, quando mal
geridas, conduzir a uma “overdose” de informação e a uma certa saturação.
Quantos alunos desmotivados já me desabafaram a “seca” das repetidas
apresentações em PowerPoint?
Os nossos jovens estão a crescer
num universo paralelo ao dos pais e ao de muitos dos seus professores. Passam
horas no Messenger, em chats, a fazer downloads ou a jogar e, ao mesmo tempo, a
mandar mensagens aos amigos reais e virtuais. Chegam a casa exaustos de tanta
atividade, mas à hora de jantar, mal conseguem abrir a boca porque, indiferente,
o pai atira um "calem-se, que quero ouvir as notícias!".
É através da comunicação que
partilhamos o que somos e que construímos.
Quanto
a mim, humildemente vos confesso: se eu for um dia recordada pelos meus alunos,
não quero sê-lo pela engenharia digital que eu possa vir a dominar, mas porque,
de uma forma ou de outra, os terei conseguido cativar.

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